Estudo do AM aponta câncer uterino atrelado ao HPV

Foto: DIvulgação/Fapeam | Nenhuma violação de direitos autorais pretendida.

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O c√Ęncer de colo do útero é causado por infec√ß√£o sexualmente adquirida com certos tipos de papilomavírus humano (HPV). Quanto mais tempo uma mulher permanece infectada pelo vírus, maior é o risco de desenvolver a doen√ßa. Sabendo disso, um estudo científico feito por um estudante do Amazonas tra√ßou o perfil do c√Ęncer de colo uterino tendo como objeto de pesquisas mulheres que se tratam na Funda√ß√£o Centro de Controle de Oncologia do Amazonas (FCecon).

Essa infec√ß√£o sexualmente transmissível muitas vezes n√£o causa sintomas, mas pode provocar verrugas genitais em homens e mulheres. A organiza√ß√£o mundial da saúde (OMS) j√° indicou que dois tipos de HPV (16 e 18) causam 70% dos c√Ęnceres do colo do útero e les√Ķes pré-cancerosas. Muitas das vezes este tipo de c√Ęncer surge após os 30 anos de idade. Este é um índice alto que mulheres devem se atentar quanto a sua saúde para n√£o desenvolverem um c√Ęncer uterino.

Ao todo, 17 pacientes mulheres, com idades entre 31 e 70 anos, foram objetos deste estudo. 82,3% das mulheres tiveram c√Ęncer de colo do útero a partir do HPV. O estudante de biomedicina Marcos Bruno Lino, orientado pela professora Heidy Halanna de Melo Farah Rondon, entrevistou mulheres, que tiveram seus nomes preservados, identificando comportamentos e sintomas para tra√ßar um perfil do c√Ęncer de colo uterino originado pelo HPV. "Esta parceria da pesquisa com a medicina clínica é apenas uma uni√£o para trazermos uma melhor qualidade de vida para a paciente", afirma o autor da pesquisa.

Os dados da pesquisa, que tem apoio da Funda√ß√£o de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), apontaram que as situa√ß√Ķes que aumentam a probabilidade de ocorr√™ncia pela infec√ß√£o est√£o relacionadas ao uso de anticoncepcionais oral e/ou injet√°vel (69,1%) dos casos, seguidas de mulheres com baixos níveis de escolaridade (64,7%) e início de atividade sexual em idade precoce entre os 11 e 20 anos (64,7%).

"Os casos tendem a aumentar, pois a educa√ß√£o sexual nas escolas ainda é fraca. N√£o se fala muito sobre isso. E quando tentamos falar sobre o assunto nas escolas públicas, recebemos as perguntas de muitos jovens que alguma das vezes nem ouviram falar desse vírus. Os pais também por n√£o saberem falar sobre o assunto acabam agravando isso", explica Lino.

Para a presidente da Associa√ß√£o Amazonense de Ginecologia e Obstetrícia (ASSAGO), Sigrid Cardoso, o fator de risco mais importante para o desenvolvimento do c√Ęncer de colo uterino ainda é a presen√ßa do vírus HPV. "Mais de 97% dos tumores de colo uterino contém DNA-HPV. Outros fatores de risco incluem início precoce de atividade sexual (menor 16 anos), alto número de parceiros sexuais e tabagismo", afirma a ginecologista.

A pesquisa deve ganhar mais amplitude. "Essa pesquisa servir√° de base para a tese de doutorado da minha orientadora, a professora Heidy Halanna de Melo Farah Rondon. Com isso teremos mais dados de base para essa pesquisa", afirma Lino.

Estimativa

De acordo com o Instituto Nacional de C√Ęncer (Inca) o número de casos novos de c√Ęncer do colo do útero esperados para o Brasil, para cada ano do tri√™nio 2020-2022, ser√° de 16.590, com um risco estimado de 15,43 casos a cada 100 mil mulheres. Sem considerar os tumores de pele n√£o melanoma, o c√Ęncer do colo do útero é o segundo mais incidente nas Regi√Ķes Norte (21,20/100 mil), Nordeste (17,62/100 mil) e Centro-Oeste (15,92/100 mil). J√° na Regi√£o Sul (17,48/100 mil), ocupa a quarta posi√ß√£o e, na Regi√£o Sudeste (12,01/100 mil), a quinta posi√ß√£o.

Premiação

O projeto desenvolvido por Marcos Bruno Lino e orientado pela professora Heidy Halanna de Melo Farah Rondon est√° entre os dois trabalhos científicos melhor colocados entre os apresentados na IX Jornada Científica do Paic/FCecon – 2019/2020.