Estudo mostra a eficácia da Coronavac contra a variante P.1

Foto: Reprodução | Shutterstock - Nenhuma violação de direitos autorais pretendida

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Um estudo preliminar realizado pelo grupo Vebra COVID-19 apontou que a vacina Coronavac, fabricada pelo Instituto Butantan em parceria com a fabricante chinesa Sinovac, tem 50% de eficácia contra cepa P.1, variante do coronavírus identificada pela primeira vez em Manaus em janeiro deste ano.

Os dados da pesquisa ainda são preliminares, mas já demonstram uma "tranquilidade", afirmou o médico infectologista Júlio Croda, responsável pelos trabalhos. O estudo envolve pesquisadores de instituições nacionais e internacionais e servidores da secretaria de Saúde do Estado do Amazonas e de São Paulo e das secretarias da Saúde nos municípios de Manaus e São Paulo. Eles também têm apoio da Organização Panamericana de Saúde (Opas).

"Nós fizemos esse grande estudo nos trabalhadores de saúde de Manaus. Foi a primeira cidade que teve a variante P.1. Por conta disso houve uma vacinação em massa e com isso conseguimos confirmar que a coronavac tem eficiência contra a variante, assim como foi descrito nos ensaios clínicos", apontou o infectologista Júlio Croda.

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, disse anteriormente que a CoronaVac teve resultados "muito positivos" em testes feitos na China contra as variantes britânica e sul-africana da COVID-19, também apontadas como mais contagiosas que cepas anteriores.

Para o responsável da pesquisa, o infectologista Júlio Croda, o resultado que este trouxe esse estudo mostra que a vacina pode continuar sendo aplicada em todo o país. "O Ministério da Saúde e as secretarias estaduais podem continuar administrando a vacina porque ela vai trazer algum impacto do ponto de vista do controle da doença".

Um outro estudo desenvolvido por pesquisadores brasileiros já havia sugerido que a Coronavac, principal imunizante usado na campanha de vacinação contra a COVID-19 no País, pode não ser tão eficiente contra a variante P.1 encontrada em Manaus. Os dados ainda não são conclusivos, pois foram obtidos de apenas oito voluntários, necessitando de confirmação por pesquisas maiores. O estudo foi conduzido por pesquisadores de instituições renomadas como a Universidade de São Paulo (USP) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e publicado em páginas de pré-prints (artigos ainda não revisados por outros cientistas) da revista científica The Lancet.

Croda explica que o estudo considerou a efetividade da vacina contra a P.1 com base na incidência no local, mas os casos positivos para a COVID-19 não foram sequenciados para confirmar a contaminação pela variante. "Verificamos no cadastro desses profissionais de saúde quem já tinha tido ou não a doença com o RT-PCR confirmados, também checamos se ele foi tomar a vacina e com base nisso conseguimos calcular a efetividade da vacina e este apontou uma eficácia de 50%".