Grupos se dedicam a resgatar e cuidar de animais abandonados em Manaus

Foto: Divulgação | Nenhuma violação de direitos autorais pretendida.

Foto: Divulgação | Nenhuma violação de direitos autorais pretendida.

Encontrar um cachorro abandonado não é uma tarefa difícil para quem anda pelas ruas de Manaus, onde há mais de 300 mil pets abandonados, segundo levantamento realizado por entidades de defesa dos animais. Sem tutores, cães e gatos padecem com parasitas, doenças e falta de alimentação na maior cidade da Amazônia.

Foi pensando em mudar essa realidade que o empresário Amauri Gomes, de 29 anos, decidiu sair da zona de conforto, e passou a atuar diretamente na proteção dos animais em duas frentes: dar abrigo e cuidar de pets abandonados e cobrar punição aos responsáveis por maus-tratos dos animais.

Amauri e cão resgatado

"Já são mais de 11 anos de ativismo, na verdade, eu sempre gostei muito de animais, e em 2010, eu decidi começar a lutar efetivamente pela vida dos pets. Hoje, nós temos uma rede de proteção muito forte, que incluem diferentes forças da sociedade, como veterinários e advogados, por exemplo", explicou Amauri.

O empresário utiliza a própria casa para fazer a reabilitação dos pets. "Sempre quando há um cachorro ou um gato, por exemplo, precisando de assistência, eu trago para a minha casa, onde nós realizamos todos os tratamentos necessários, e em seguida, são doados. Em muitos casos, eu acabo criando uma identificação muito forte com certos animais, hoje eu tenho 11 cachorros e seis gatos".

Ativista cobra punição a responsáveis por casos de maus tratos a animais
Ativista cobra punição a responsáveis por casos de maus tratos a animais | Foto: Reprodução

Paralelamente às ações de resgate dos animais, ele também atua diretamente contra quem for flagrado maltratando gatos e cachorros. "Sempre quando recebo a informação de que um animal está sendo maltratado, eu aciono a Polícia Militar e vamos até o local, onde resgatamos os pets. Além disso, eu faço questão de processar ao Ministério Público, todos aqueles que eu testemunho maltratando animais", afirmou.

'Pelos e Patas Love'

O amor pelos animais também foi o que motivou o vendedor Luiz Felipe, de 32 anos, e outros dois colegas a criarem um abrigo destinado a pets abandonados, o Pelos e Patas Love. Tudo começou em 2011, quando o trio encontrou filhotes de gato com uma doença ocular.

"Eles estavam prestes a perder os olhos, não sabíamos o que fazer, então decidimos levá-los a um profissional, onde eles foram tratados. Depois foram surgindo outros animais e em 2013 decidimos fundar o abrigo", relatou Luiz Felipe.

Inicialmente, o grupo resgatava animais abandonados, mas por conta da alta taxa de ocupação do abrigo e pela falta de mão de obra e de recursos financeiros, os ativistas passaram a focar no cuidado aos pets que abrigam e na castração e alimentação de animais em situação de rua.


"Após nos tornarmos um pouco conhecidos por conta desse trabalho, muitas pessoas passaram a abandonar um número muito grande de pets na minha casa, por exemplo. No momento, infelizmente, não temos mais como acolher um número ainda maior de animais", destaca.

Durante quase uma década de atuação, Luís Henrique lembra de um dos casos que mais marcaram a sua trajetória de proteção aos animais ocorreu quando o grupo socorreu um cachorro que teve a face destruída por conta de uma bombinha, conhecida como 'catolé'.

Animais aguardam doadores
Animais aguardam doadores | Foto: Reprodução

"Vizinhos nos contaram que alguém colocou essa bombinha em uma carne, que explodiu na boca do cachorro, que já era idoso. Além do grave ferimento, haviam várias larvas em sua boca quando o resgatamos. Ele foi tratado e depois de alguns anos morreu por causas naturais", afirmou.

Quem deseja colaborar com o abrigo, pode entrar em contato com os ativistas e realizar doações por meio da página Pelos e Patas Love (@pelosepataslove), no Instagram e Facebook.

'É a minha melhor amiga'

A fisioterapeuta Camyla Giacomolli, de 26 anos, relembra com carinho do momento em que resolveu adotar Aurora, sua cachorra, com quem convive há quase um ano.

"Comprar um cachorro para mim nunca foi uma alternativa, sempre tive isso em mente, mas como eu morava em um local que não tinha muito espaço, esperei o momento certo para adotar um animalzinho. Ano passado, quando eu me mudei para a casa onde moro hoje, fui a um abrigo aqui do bairro mesmo, e escolhi Aurora, na verdade, nós nos escolhemos", diz.

A fisioterapeuta Camyla Giacomolli e a Aurora
A fisioterapeuta Camyla Giacomolli e a Aurora

Um levantamento realizado pelo Instituto Pet Brasil indica que a adoção de gatos e cachorros aumentou 50% desde o início da pandemia da Covid-19, entretanto a população de cães e gatos alojados em organizações não governamentais (ONGs) e instituições é de cerca de 172 mil. 96% desses animais são cães e os outros 4% são gatos. Geralmente estes locais conseguem abrigar de 50 até 500 animais.

Fora desse quadro, existem quase 3,9 milhões de animais em condições de vulnerabilidade, aqueles que vivem sob cuidados de famílias abaixo da linha de pobreza ou que vivem nas ruas.

Câmera flagrou abandono e assassinato de cachorro

Enquanto uns adotam, outros abandonam animais. Na manhã do dia 25 de junho, quando uma câmera do circuito de segurança de um Pet Shop, localizado no conjunto Hiléia, Zona Centro-Oeste da capital, flagrou o momento em que um casal abandona quatro filhotes de cachorro na calçada do estabelecimento.

Câmera flagrou abandono de filhotes
Câmera flagrou abandono de filhotes | Foto: Reprodução

Nas imagens, é possível ver o momento em que os dois chegam a pé ao local. A mulher carrega uma sacola de plástico preta, onde estavam os quatro cachorros e a abandona próximo à porta do Pet Shop. Segundo os funcionários do estabelecimento, dois filhotes já estavam sem vida quando foram encontrados, enquanto os outros dois foram doados.

Já no dia 1º de junho, um vídeo ainda mais chocante registrou o momento em que um homem com uma faca chuta gatos e esfaqueia um cachorro a sangue frio. O caso ocorreu no bairro Compensa, Zona Oeste de Manaus.

O suspeito que aparece nas imagens, identificado como Ângelo Márcio da Silva Rodrigues, de 41 anos, foi morto dias depois, por envolvimento com o tráfico de drogas.

Abandono de animais é crime

Segundo a Lei Federal 9.605/98, conhecida como Lei dos Crimes Ambientais – que incluem animais domésticos, entre eles cães e gatos, é proibido abandonar os animais.

No artigo 32 do ordenamento jurídico, consta que a pena para a prática do ato de abuso, maus-tratos, ferir ou mutilar animais silvestres, domésticos ou domesticados, nativos ou exóticos, será de 3 meses a 1 ano de prisão e multa, aumentada de 1/6 a 1/3 se ocorrer a morte do animal.